A primeira beleza é banal e estava logo diante do portão da minha casa – talvez porque eu, triste, não tenha tido coragem de sair até o finzinho da tarde. Era a luz do outono amarelecendo os prédios do outro lado da avenida, numa cara de cartão postal antigo, uma nostalgia sem nem. Atravessado, o sesc fazia sombra no prédio desbotado, desenhando como se uma montanha: nos primeiros andares, aqueles que estavam dentro, sob o desenho, já tinham se despedido desta segunda-feira sem-graça enquanto os outros, nos andares mais altos, ainda estavam nela, mergulhados na sua luz.