Hoje eu vi o ódio nos olhos de um homem. Vi os olhos escuros, redondinhos e vermelhos de sono, olharem de perto numa confusão nova cheia de vigor, a verdade odienta que o corpo sente não se freando a não ser nas palavras. Essas, contidas. Mas os olhos. Que desfocam. Que se apertam numa desacreditância. Que não queriam ter que olhar, ter que ver. Ódio verdadeiro, real, insufocado e dolorido. Tive Medo. O corpo odiava todo. As palavras razoavam. Mas mergulhado num segundo vi o esboçar de um abraço que se perdeu antes ainda de virar impulso. Um que o coração manda e o querer desobedece. Num único quase-gesto, querecência e desquerecência. Hoje eu vi a largueza incontível do amor.